quarta-feira, 23 de abril de 2008

Sleeping With Butterflies



airplanes take you away again
are you flying above where we live
then i look up, a glare in my eyes
are you having regrets about last night

i'm not, but i like rivers that
rush in so then i dove in
is there trouble ahead for you, the acrobat
i won't push you, unless you have a net

you say the word you know i will find you
or if you need some time i don't mind
i don't hold onto the tail of your kite
i'm not like the girls that you've known
but i believe i'm worth coming home to
kiss away night
this girl only sleeps with butterflies
with butterflies
so go on and fly then, boy

balloons look good from on the ground
i fear with pins and needles around
we may fall then stumble upon a carousel
it could take us anywhere

you say the word you know i will find you
or if you need some time i don't mind
i don't hold onto the tail of your kite
i'm not like the girls that you've known
but i believe i'm worth coming home to
kiss her, waiting by this girl
this girl

you say the word you know i will find you
or if you need some time i don't mind
i don't hold onto the tail of your kite
i'm not like the girls that you've known
but i believe i'm worth coming home to
kiss away night
this girl only sleeps with butterflies
with butterflies
with butterflies

so go on and fly boy


Tori Amos

segunda-feira, 21 de abril de 2008

presença

Cerro os braços e sinto-os contra mim ...
Se sonha que
Para a minha alma cansada,
Triste, talvez volte também,
um dia, a Primavera ...


(...)


Há saudades nas pernas e nos braços.
Há saudades no cérebro por fora.
Há grandes raivas feitas de cansaços.


Álvaro de Campos


in presença, nº 48, 1936

Muito Barulho para Nada

"Tu e eu somos demasiado sábios para podermos amar-nos em paz".


Cena II, Acto IV, por Shakespeare

sexta-feira, 4 de abril de 2008

A Gaivota




"Nina - O que está a escrever?



Trigorin - São só uns apontamentos ... Ocorreu-me agora mesmo um tema... (Mete o bloco de notas na algibeira) Um tema para um conto. Uma rapariga que passou a vida à beira de um lago. Assim, como você. Essa rapariga ama o lago, como uma gaivota, e é feliz e livre como uma gaivota. Um homem passa, olha para ela, e como não tem mais nada que fazer, destrói-a - como aquela gaivota ali. (Pausa)



(...)



Trigorin - (Folheando um livro) Página 121, linhas 11 e 12. Está aqui mesmo. (Lê) " Se alguma vez dela precisares, toma a minha vida."



(...)



por Tchekov

sexta-feira, 28 de março de 2008

No time to waste


I've got time to think about
The things you think about when
You've got time to spare
Wonder why we're here

I wonder when or where it might go wrong
I wonder why I went along with you
Why I forgot to think
Forgot to think it through now

I wonder why I
I wonder why


You go on pushing yourself
You keep on fooling yourself
You don't know why, you don't know
You don't know how you just don't know
You keep on,
I keep on fooling myself

There's a time and place for everything
A time to act, a time to dream
There's time to wait
But no time to waste

I wonder why I
I wonder why


Anouk

Auschwitz



"Amanhã fico triste,
Amanhã.
Hoje não.
Hoje fico alegre.
E todos os dias,por mais amargos que sejam,
Eu digo:
Amanhã fico triste,
Hoje não."


Autor anónimo.(poema encontrado na parede de um dos dormitórios de crianças do campo de exterminio de Auschwitz)

quinta-feira, 13 de março de 2008

A Cena do Ódio


(...)

Eu invejo-te a ti, ó coisa que não tens olhos de ver!
Eu queria como tu sentir a beleza de um almoço
pontual
e a f'licidade de um jantar cedinho
co'as bestas da família.

Eu queria gostar das revistas e das coisas que não
prestam
porque são muitas mais que as boas
e enche-se o tempo mais!
Eu queria, como tu, sentir o bem-estar
que te dá a bestialidade!
Eu queria, como tu, viver enganado da vida e da mulher,
e sem o prazer de seres inteligente pessoalmente!
Eu queria, como tu, não saber que os outros não
valem nada
p'ra os poder admirar como tu!
Eu queria que a vida fosse tão divinal
como tu a supões, como tu a vives!
Eu invejo-te, ó pedaço de cortiça a boiar à tona d'água,
à mercê dos ventos,
sem nunca saber que fundo que é o Mar!


Olha para ti!
Se te não vês, concentra-te, procura-te!
Encontrarás primeiro o alfinete
que espetaste na dobra do casaco,
e depois não percas o sítio,
porque estás decerto ao pé do alfinete.
Espeta-te nele para não te perderes de novo,
e agora observa-te!


(...)


Almada Negreiros